Torneia-se o monte e começa-se a descida para o vale de Arouca. A encosta e o vale igualam em beleza a Sintra, e excedem-na em vastidão.” Alexandre Herculano, 1854.

INTRODUÇÃO

Arouca traz à memória nome de terra, de paisagens deslumbrantes, de rios de água cristalina que cavaram vales férteis e verdes, de serranias agrestes mas únicas, de doçaria singular: Pão de Ló, melindres, castanha, a terra da castanha, da arouquesa brava que se alimenta na serra agreste, sem rações nem alterações genéticas…ainda.

O vale, a meia encosta e os planaltos serranos, cobrem-se de flora variada e florida a cada passagem sazonal. Cada visita é uma surpresa, um encanto, um deslumbramento, que apetece sempre visitar de novo.

Terra de um povo que fez Brasis, singrou na vida, desenvolveu o comércio e a indústria, quase sempre em terra estranha, que lutou em África e por lá morreu, que na fuga “clandestina” ao fascismo e à miséria demandou França e arredores, a preparar a integração Europeia que nos abraça, nos aflige, nos anima e nos ameaça a identidade.

Com uma História que remonta a tempos pré-Nacionais, Arouca foi um espaço territorial com identidade própria, muitos séculos antes de ser concelho.

O mais antigo documento conhecido com referência a Arouca (Aravoca), data do século VI e encontra-se no “Paroquial Suévico”.

Uma vez adquirida a qualidade emancipadora, cuja certidão de nascimento lhe foi conferida em 1513, foi-se autonomizando das tutelas que o agrilhoavam, em jornada longa pelos séculos adiante, até atingir a actual configuração territorial e administrativa, cujas fronteiras definitivas remontam a 1917.

O seu destino, isto é, a decisão respeitante à escolha plena e livre dos representantes de todos, para o exercício do Poder local, só foi conferida a todos os seus filhos residentes, com a institucionalização do voto democrático, livre e universal, após a Revolução dos Cravos que em 25 de Abril de 1974, pôs fim ao exercício ilegítimo do poder.

Fazer a História de uma terra com tanta História, seria puro lirismo.

Nestas páginas, pretendemos somente relevar alguns dos episódios que nos parecem os mais marcantes, desde o distante passado até aqui. Com os naturais condicionalismos de espaço, a escassez de fontes e o subjectivismo na interpretação de acontecimentos mais recentes.

O actual concelho de Arouca é o resultado do antigo Couto, da concessão do foral de D. Manuel em 1513, das posteriores reformas administrativas levadas a efeito pelos Liberais em 1836 e de uma última ampliação durante a 1ª República.

Os monumentos funerários, sem tempo preciso nem nome de utentes, espalhados um pouco por todo o concelho, certificam a presença humana em terras de Arouca desde tempos pré-históricos. As primitivas denominações de “arauca” e “araducta” entre outras, definem um território que se perde nas brumas de tempos pré-nacionais e se consubstanciam no Couto, com limites definidos em Carta doada por Afonso Henriques ao Mosteiro, no ano de 1132.

DO MEGALITISMO ÀS CIVILIZAÇÕES CASTREJAS

Os monumentos funerários estendem-se por diversos áreas do concelho. Uns foram espoliados por caçadores de tesouros, sem respeito pela História nem pelas regras científicas no trato dos achados arqueológicos, primeiro passo no desprezo para com a identidade e a cultura; outros foram destruídos pela ignorância; outros ainda, dos muitos que restam, têm merecido estudo científico e espera-se para breve a publicação da Carta Arqueológica. Deles foi recolhido inestimável espólio que aguarda espaço e verbas para que tenha exposição condigna, a fim de permitir o estudo de uns e a sensibilização dos restantes.

Predominam nas terras altas e nos planaltos de meia encosta, nomeadamente o vasto Conjunto Megalítico de Escariz, que se estende pela freguesia que lhe dá o nome, bem como por terras de Mansores e de Chave.

Seguindo a actual fronteira concelhia, sobe-se à Freita para encontrar, entre outros, um dos maiores monumentos funerários do país, ou talvez da Península, lá bem no meio da serra, no sítio denominado de Portela de Anta.

Na freguesia de Alvarenga e na encosta Norte de Santa Eulália, no Arressaio, existem vários monumentos megalíticos assinalados, alguns dos quais já estudados, outros a aguardar intervenção especializada.

O nivelamento de terrenos em tempo de arroteias, para uma população que à medida que crescia fazia minguar o pão, terá levado à eliminação de muitos outros vestígios pré-históricos, donde resulta, em parte, a localização destes monumentos funerários pré-históricos em terras altas e virgens da acção humana.

Mais recentemente, a voragem das celuloses, fez desaparecer alguns desses documentos do passado, como aconteceu com a Anta de Casal Mau, em Santa Eulália (classificada como monumento nacional), alguns no Arressaio, na mesma freguesia e vários na Senhora do Monte, em Alvarenga.

Da época Castreja existem em Arouca alguns vestígios, a necessitar demorado estudo, que não se compadece com lirismo gratuitos de férias de Verão. O único trabalho de interesse levado a cabo desde há alguns anos com o rigor científico que o assunto merece, tem sido feito no monte de Valinhas, em Santa Eulália, estando, no entanto, muito ainda por fazer, por falta de imprescindíveis apoios: científicos, técnicos e económicos.

Saltando dos milénios pré-históricos para tempos pré-nacionais, já que do percurso da Romanização não existem vestígios válidos, senão os do encaminhamento dos habitantes dos Castros para o vale, vamos encontrar uma plêiade de senhores da terra já então Cristianizada pelo movimento da Reconquista.

A partir do século VI, são inúmeros os documentos escritos que a Arouca se referem: em menor quantidade para o período suévico-visigótico, aumentando significativamente no período de dominação árabe e da consequente resposta Cristã, em luta pela reconquista do território peninsular, a partir do século VII.

Referem a maior parte das vezes a reedificação de locais de culto, nomeadamente capelas ou igrejas destruídos pelas investidas muçulmanas sobre o território de Arouca, onde o vale, não raras vezes, estremou árabes de Cristãos.

O CONCELHO DE AROUCA: DE COUTO A CONCELHO

As lutas travadas pela posse de território tiveram, ao longo da Idade Média, um forte cunho religioso.

Daí que o Mosteiro de Arouca, dos primitivos edifícios ao actual, tenha marcado tão fortemente a vida, a economia e a cultura dos diversos povos que ao longo do tempo se abrigaram nestas paragens, para aqui viverem.

O progressivo recuo dos árabes para Sul, permitiu a estabilização social e o crescimento populacional que foi crescendo sob a tutela do Mosteiro e dos seus senhores.

Nos meados do século XI o “território” ou “terra Arauca” cobrem um vasto espaço que abarca as actuais freguesias de Moldes, Arouca, Burgo, Santa Eulália, Urrô, Várzea, Tropeço, Chave e Rossas, cujos governantes, referidos e documentados pela Dr.ª Maria Helena Cruz Coelho, são os senhores do mosteiro.

O primitivo Mosteiro situava-se a montante da actual vila, em S. Pedro e terá sido destruído pelos árabes nos meados do século X, após o que, por acção de D. Ansur e D. Eileuva, nobres proprietários locais, um novo mosteiro foi construído no local onde se situa o actual.

Dos referidos patronos, sem filhos, recebeu o mosteiro avultadas doações a que se seguiram muitas outras.

Foi dúplice, albergando freiras e frades sujeitos à regra de S. Pedro, e passaria a feminino com a chegada de D. Mafalda.

O mosteiro de S. Pedro de Arouca, foi estrategicamente edificado no cimo do vale fértil, cujos rendimentos alimentavam o significativo número dos oradores que tinham por missão rezar pelas almas do povo que os alimentava, bem como dos nobres guerreiros, cuja função consistia em guerrear a mourama, inimiga da Fé, que desde o século VII invadira terras de Cristãos.

Expulsos os mouros para além do Mondego primeiro, e para além Tejo depois, a Terra Portucalense ganhava contornos de país independente de Castela. Arouca, que fora terra de estremadura entre Cristãos e Muçulmanos durante alguns períodos da reconquista, era no início do século XIII um vale fértil e votado ao sossego, capaz de sustentar o mosteiro e o povo que se dedicava ao amanho da terra e à pastorícia.

Com a crescente notoriedade do senhorealismo Portucalense composto pela nobreza e clero, também sairia beneficiada a terra de Arouca.

Do espírito revolucionário de Afonso Henriques, avesso a fidelidades e vassalagens, quer para com os seus senhores de Leão e Castela, quer para com a mãe, a quem os apetites de viuvez precoce comprometiam os planos do filho e da Nobreza Portucalense por território livre, sairia beneficiada a ordem monástica arouquense, a quem o futuro 1º rei de Portugal daria Carta de Couto em 1132.

Filha de Sancho I, D. Mafalda, que o povo de Arouca adoptou como a sua Rainha e Santa, regressada de Castela onde se deslocara para casar, acto que o Papa proibiu, ainda muito jovem recolheu-se ao mosteiro de Arouca. Mudou a regra de S. Pedro para a de Císter, tomou as rédeas da administração do território e confrontou-se em querelas com seu irmão e rei, Afonso II, que lhe disputava a posse do senhorio de Arouca, por ela engrandecido com a compra de outras terras.

Ganha a contenda, com a intervenção da Santa Sé, D. Afonso III viria a confirmar o Couto por Carta de 1257.

A evolução para concelho aconteceria somente aquando das reformas Manuelinas que levaram à criação do concelho de Arouca por Foral de 1513.

O CONCELHO DE AROUCA: FUNDAÇÃO E CRESCIMENTO

A Nascente e Poente do concelho existiram, no entanto, dois outros concelhos, cujos territórios se integram hoje no de Arouca: o de Alvarenga e o de Fermedo, ambos com foral de 1514.

Em 1836 foi extinto o concelho de Alvarenga e parte das suas freguesias foram integradas no de Arouca: Alvarenga, Espiunca, Canelas e Janarde.

Nova Reforma Administrativa extinguiria o concelho de Fermedo e as freguesias de Escariz, Fermedo, S. Miguel do Mato e Louredo seriam integradas também no concelho de Arouca. A freguesia de Louredo passou posteriormente para o concelho da Feira.

Por Lei de 1917, Covêlo de Paivó, do vizinho concelho de S. Pedro do Sul, passou para o de Arouca, completando-se assim o alargamento do território concelhio que se estende por cerca de 328 kms2 e é actualmente constituído por 20 freguesias.

A vila cresceu à sombra do convento e, pelo tempo fora, as mentalidades que abrigava, marcaram profundamente o sentir, agir e religiosismo do povo.

Consequência directa da Revolução francesa, o Liberalismo chegaria a Portugal no primeiro quartel do século XIX.

A implantação do Liberalismo agitou letrados e burgueses locais, em luta pelo Poder que mudava de mãos.

A legislação Liberal de Mouzinho da Silveira aquando da implantação definitiva do Liberalismo em 1834 colocou à disposição da burguesia portuguesa grossa fatia do território, confiscado às ordens religiosas masculinas.

Também em Arouca, a proibição do noviciado levaria, a curto prazo, ao mesmo movimento de luta pela posse da terra.

Assim, à medida que o concelho ganhava autonomia e medravam os novos terratenentes, extinguiam-se as freiras à míngua e delapidava-se religiosamente o recheio do mosteiro que passava a decorar as paredes das casas dos novos detentores do Poder, sobretudo a partir da morte da última freira, em 1886.

O historiador Alexandre Herculano, em peregrinação cultural pelo país, salvou parte considerável do rico espólio documental do cartório do mosteiro que se encontra a salvo na Torre do Tombo.

Apesar do saque a que o recheio do mosteiro de Arouca foi votado, o Dr. Simões Júnior, médico de Arouca, organizou em 1933 o museu de Arte Sacra que é um dos mais ricos do país, constituído por paramentos, alfaias sagradas, mobiliário, tapetes, quadros e esculturas de diferentes séculos, diversos materiais de raro valor.

Com o apoio da população e a colaboração do Conde de Castelo de Paiva, alguns dos mais prestigiados terratenentes de Arouca conseguiram que fossem extintos, por decisão régia, os pesados foros, em Junho de 1898.

A implantação da República em 1910, a instauração da Ditadura Salazarista a partir de 1926 e a Revolução de Abril em 1974, para além de raras mexidas na Administração Local, precedidas de alguns conflitos de bastidores, na luta pelo poder, não foram acompanhadas de agitação popular.

A agricultura praticada nos vales e terras férteis dos vales e meia encosta, o pastoreio nas serras e a enorme mancha florestal que cobre parte considerável do concelho, constituem desde tempos imemoriais o sustento das gentes.

A revolta do povo contra o corte das videiras americanas em 1936 e a resistência à polícia que veio confiscar o volfrâmio de Alvarenga em 1944 e de que resultaram vários feridos e um morto em cada situação, constituem actos pontuais de desespero de um povo pacífico, que emigrou por esse mundo sempre que o pão escasseou e se viu desamparado pelos próceres do regime.

VOLFRÂMIO

Aquando da Primeira Guerra Mundial, iniciou-se em Arouca a corrida ao Volfrâmio, minério utilizado no fabrico de armas e munições, com vista ao seu endurecimento e maior resistência.

Foram estrangeiros quem fez as principais demarcações, que ainda conservavam aquando da Segunda Guerra Mundial, ou as transmitiram a outros, também estrangeiros.

Durante a 2ª Guerra Mundial entre 1939 e 1945, operaram na saga da exploração de volfrâmio em Arouca a Companhia Mineira do Norte de Portugal, em Rio de Frades e a Companhia Portuguesa de Minas, em Regoufe, ambas de capital maioritariamente estrangeiro. Outras pequenas empresas ou empresários individuais exploraram volfrâmio em Alvarenga e em demarcações periféricas das referidas empresas, em Regoufe e Rio de Frades.

De Arouca saíram muitos milhares de contos de volfrâmio; um legal e a maioria levado pelas redes de contrabando. As fortunas efémeras assim criadas, foram esbanjadas e, terminado o conflito mundial, voltava-se à pacatez do amargo pão de cada dia, num concelho tutelado e triste que só via esperança nas migrações.

O Brasil desde há muito, a Europa e os concelhos limítrofes do litoral, a partir dos anos sessenta, foram pontos de destino de milhares de filhos desta terra, que até perto do fim do século esteve de costas voltadas para o progresso e o desenvolvimento.

Com uma população estabilizada à volta dos 24 mil habitantes, os jovens cada vez mais letrados e preparados para enfrentar os desafios do futuro, Arouca começa finalmente a ter as infra-estruturas que dão qualidade à vida, que aliadas às belezas naturais, fazem de Arouca uma terra ímpar onde apetece viver.

O PATRIMÓNIO AROUQUENSE

Espalhado um pouco por todo o concelho, é inestimável o património de Arouca, tanto pela grandeza como pela variedade, mas também pela raridade.

Raras são em Portugal e no Mundo as Trilobites da Louseira de Canelas que datam de há 400 a 500 milhões de anos.

O mesmo sucede com as “Pedras Parideiras” na serra da Freita.

De várias épocas pré-Históricas, de tamanhos e formas diferenciadas, dispersas pelo território concelhio, existem muitos monumentos funerários megalíticos, alguns dos quais classificados já como Monumentos Nacionais e dos quais ganha relevo pela grandeza, a mamoa da Portela de Anta, também na serra da Freita.

Pela volumetria, o mosteiro de Arouca enche a vila e encerra no seu interior, além do Museu de Arte Sacra, a Igreja Matriz, com o magnífico altar-mor em talha dourada, o cadeiral, ao fundo, e o órgão de 1352 vozes, todos do século XVIII.

A capela da Misericórdia, do século XVII, ao fundo da praça e o Calvário, ainda na vila, são outras edificações classificadas.

Dos quatro Pelourinhos apenas um, o do Burgo, continua fragmentado. Os restantes podem ver-se na vila de Arouca, em Trancoso, freguesia de Alvarenga e em Cabeçais da freguesia de Fermedo, como símbolos de antiga autonomia municipal.

Também classificados são o Memorial de Santo António, em Santa Eulália, cuja construção remonta ao século XII e a Torre Sineira da Igreja de Urrô.

Em total abandono e a servir de palheiro continua a torre medieval de Lourosa de Campos, denominada “Torre dos Mouros”.

TRAJES E TRADIÇÕES

Porque “quem canta seu mal espanta”, em grupos que reuniam quase toda a população de cada lugar, de sol a sol, das sementeiras até às colheitas, no trabalho duro do amanho da terra, na eira ou nas desfolhadas, o povo cantou através dos séculos e transmitiu as cantigas de geração em geração.

Virgílio Pereira reuniu a maior parte delas no Cancioneiro de Arouca.

Decorria ainda a Segunda Guerra Mundial e apertado o cerco da ditadura, quando o organismo corporativo, Grémio da Lavoura, criou a Feira das Colheitas.

Os ranchos folclóricos que então surgiram, para além de actuações em várias festas e romarias, tinham como ponto culminante a Feira das Colheitas, o fim do ciclo, o desarmar da tenda, antes da côdea à lareira no Inverno longo que se avizinhava.

Pelas freguesias e lugares maiores de cada uma delas, foram surgindo e morrendo os agrupamentos folclóricos do concelho.

Embora num ou outro vão tendo reaparecimentos pontuais em função ainda da Feira das Colheitas, apenas dois agrupamentos estão voltados para a recolha e aperfeiçoamento dos cantares de outrora, bem como a preservação de instrumentos e trajes que a globalização fez cair em desuso.
São eles o Grupo Etnográfico de Moldes e o Grupo Etnográfico de Fermedo e Mato.

O Grupo Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses tem sede própria com Museu Etnológico e Biblioteca. Fundado em 1945, legalizou-se como Associação em 1986 e tem levado o nome de Arouca a vários pontos do país e do estrangeiro.

Nas suas actuações utilizam predominantemente o Traje Domingueiro ou Traje de Rico.

Os elementos femininos vestem saia, blusa e paletó, meias brancas e chinelas, chapéu de penacho e lenço de seda. Penduram no pescoço cordões de ouro.

O traje masculino é composto por camisa branca, colete, calça preta com facha larga na cinta, botas e chapéu.

O Grupo Etnográfico de Fermedo e Mato fundou-se no início dos anos 80 e tem-se dedicado à recolha de cantigas, trajes, ferramentas e alfaias agrícolas que conserva no seu mini-museu.

Usa nas suas actuações vários tipos de traje confeccionados em Serguilha, Burel e linho, algodões, cotim, serrubeco e chita, que vestem a lavradeira rica ou a lavradeira pobre.

FESTAS E ROMARIAS

O Verão trás as festas todas, nas muitas capelas espalhadas pelo concelho. São quase todas de âmbito local, e quebram a monotonia quando não o sossego, com foguetes e música de gosto quase sempre duvidoso num misto de religioso e profano.

As mais populares, embora desvirtuadas pelo alcatrão e tudo o que ele permite lá chegar, são ainda a festa das cruzes na Sr.ª da Laje – Freita em 3 de Maio para as gentes do vale; a da Sr.ª da Mó em 8 de Setembro para a população da Vila e Moldes; a Sr.ª do Monte em Alvarenga no dia 8 de Setembro; a Sr.ª do Campo em Rossas, no segundo Domingo de Agosto e, na vila a festa da Rainha Santa em 2 de Maio e a Feira das Colheitas em Setembro, cada vez mais “festas do concelho” que Feira das Colheitas.

O MOSTEIRO DE AROUCA

Do primitivo Mosteiro de Arouca restam apenas algumas pedras que foram cuidadosamente aproveitadas numa parede interior. O actual Mosteiro, que constitui o ex-líbris de Arouca, foi construído ao longo dos séculos XVII e XVIII. Impõem-se mais pela grandiosidade, pela imponente massa granítica, numa vila então minúscula, que pelo estilo arquitectónico. É um monumento do século XVIII e, visto do exterior, não passa disso. Conservam-se ainda na sua Cerca murada pequenos edifícios, como o celeiro, que nos seus tempos áureos serviram de suporte à actividade agrícola, nos terrenos envolventes. Dentro dele, porém, podemos encontrar, a encimar a Igreja do convento que passou a matriz, o magnífico altar mor em talha dourada, que fala de uma época em que o ouro proveniente do Brasil, marcou presença na maioria dos templos religiosos do país e também de Arouca. A Igreja é ainda ladeada por diversas esculturas de Santos e, do lado direito, encontra-se o altar em ébano, prata e cristal, que serve de túmulo à beata Mafalda, que o povo de Arouca elegeu como a sua Rainha e Santa e cuja festa é promovida anualmente em 2 de Maio, pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. Este dia é também, desde 1946, o Feriado Municipal. Ao fundo da igreja encontramos o coro das freiras, constituído por um rico cadeiral, a que se sobrepõem, nas paredes, vários óleos com cenas da vida e dos “milagres” da Santa rainha e ainda diversas esculturas. O órgão com 1352 vozes montado no coro das freiras em 1743 foi recuperado recentemente e encontra-se em bom estado para desempenhar a função para que foi criado. Na ala sul do cadeiral, do fundo da Igreja, existem três altares estilo barroco, em talha dourada, que representam outros tantos ex-votos de emigrantes portugueses no Brasil. O museu de Arte Sacra é, na sua área temática, um dos melhores e mais ricos do país, com peças únicas e que constituem inestimável património de Arouca e das suas gentes. Actualmente vazio em grande parte da sua extensão, ou indevidamente ocupado, o mosteiro de Arouca tem em vias de execução um projecto de reocupação e recuperação, para o que foram já destinadas verbas.

A CAPELA DA MISERICÓRDIA

Edificada ao fundo da mais antiga praça de Arouca, no centro histórico, de frente para a porta principal do Mosteiro, encontramos a Capela da Misericórdia, de reduzidas dimensões, encravada entre uma casa particular e o antigo edifício da Câmara Municipal, cujos fundos foram também utilizados como cadeia da Comarca. É um edifício simples, tendo a descoberto apenas a fachada principal, e a torre sineira relativamente baixa, embora equilibrada em relação às dimensões da capela, constituindo um conjunto harmonioso. Foi mandada construir por devotos em 1612 e denominou-se, durante muito tempo, de Igreja da Misericórdia. Dela saía a partir de 1626 a procissão do Senhor dos Passos em direcção ao Calvário , acto de piedade quaresmal que duraria até 1855, ano em que a procissão tomou o nome do Senhor Morto. Ainda hoje se faz a referida procissão, que parte da referida capela em Via sacra até ao Calvário. É a procissão dos Fogaréus e realiza-se em quinta-feira Santa. A Capela da Misericórdia, intimamente ligada à Misericórdia de Arouca, com estatutos de 5 de julho de 1610, que mereceriam a aprovação régia em 1624 , é classificada Imóvel de Interesse Público desde 1959, pelo Decreto nº 42255 de 8 de Maio. O interior da capela é composto por um altar muito simples e os tectos apainelados são decorados com cenas bíblicas da Paixão. A nave é revestida a azulejos que datam do século XVII. A Capela e a porta de entrada eram protegidas por uma grade em ferro e respectivo portão que entretanto desapareceram.

CALVÁRIO

O Calvário de Arouca está situado a Norte do centro da vila e do Mosteiro, no cimo da antiga rua d’Arca e actual Figueiredo Sobrinho. É um monumento que assenta sobre uma imensa massa granítica sobranceira à vila, que desde o século XVII representa, para as gentes de Arouca, importante simbologia religiosa, de penitência e de devoção. É composto por diversas cruzes tendo uma delas, a cruz central, a data de 1627. O púlpito, outro elemento em granito a encimar todo o conjunto, tem a assinar a data da sua construção o ano de 1643. O Calvário de Arouca é classificado como Imóvel de Interesse Público pelo decreto 37077 de 29 de Setembro de 1948. Foi construído pela Confraria do Senhor dos Passos, que desde 1626 tinha por missão organizar a procissão que partia da Igreja da Misericórdia, seguia em Visa Sacra pela rua d’Arca até à Capela do Espírito Santo, já então existente, junto ao Calvário. Ainda hoje para aí se desloca todos os anos, em Quinta-feira Santa a procissão do Senhor Morto, também denominada de procissão dos fogaréus.

O CASTRO DE VALINHAS

O sítio onde se localizou o antigo Castro de Valinhas, na freguesia de Santa Eulália situa-se a uma altitude de 448 metros, a Norte do vale de Arouca. As escavações arqueológicas aí levadas a cabo, ainda insuficientes, não deixam dúvidas quanto à existência de um Castro habitado desde o início do primeiro milénio a.C., bem como relativamente à existência de um castelo medieval. O local terá sido deixado ao abandono no século XIII e da referida ocupação humana, as ainda escassas escavações têm posto a descoberto importante espólio arqueológico de diferentes períodos e ocupações. Ou porque as invasões deixaram de ter lugar e não se justificava já a ocupação de locais estratégicos de defesa, mas também por acção da romanização que foi empurrando as populações para os vales férteis, existe no sopé do monte um lugar chamado Crasto, de origem muito antigo, muitas vezes referido em documentação medieval. Do espólio encontrado no Castro de Valinhas sobressaem, pela quantidade, escórias de ferro que fazem prever a existência de uma fundição, de milhares de fragmentos de cerâmica de várias épocas, e também de vidro. Pela raridade, sobressaem fragmentos de lâminas de facas, pontas de seta e moedas romanas, contas de colar e mós circulares. O achado arqueológico mais significativo é, no entanto, um alfinete de vestuário de prata dourada, datado dos séculos I a III. Estes como outros achados arqueológicos aguardam instalação no museu a que têm direito. As escavações e a respectiva preservação do local, aguardam também a atenção de quem de direito.

TORRE MEDIEVAL

A Torre Medieval do Burgo é um edifício com características góticas, edificada a meia encosta, com domínio visual sobre o vale de Arouca e de frente para o Castro de Valinhas que lhe sustenta a lenda de “Torre dos Mouros” que vem dos tempos da Reconquista Cristã, em tempos medievais. A Torre e a quinta onde se situa pertenceram a cavaleiros medievais. Referentes à sua transacção ou penhora existem diversos documentos datados do século XIII. Ainda no século XIII a quinta dos mouros pertenceu ao Mosteiro de Paços de Sousa que a transmitiu aos Jesuítas em 1283. A sua posse passaria depois para a Universidade de Coimbra que acabaria por vendê-la. A Torre teve no seu interior uma cisterna que se encontra aterrada. De características militares defensivas, a Torre tem seteiras e elementos góticos na cornija. A torre dos mouros é um edifício sólido, em granito, único no concelho e encontra-se em bom estado de conservação, apesar de ser utilizada como palheiro e não ter qualquer intervenção oficial, quer no que diz respeito à sua conservação, quer à classificação como imóvel de interesse público. Por isso, pode visitar-se só com autorização dos proprietários.

MEMORIAL DE SANTO ANTÓNIO

Este monumento é dos mais importantes de um conjunto de outros que do mesmo género se encontram no Norte do país. É também, no conjunto dos monumentos do género, encontrados à beira de antigas vias que ligavam Arouca ao berço da nacionalidade, dos mais elegantes e completos. Trata-se de um arco funerário, também denominado memorial ou marmoiral, e que terá servido para perpetuar a memória de um nobre importante da localidade, aquando do seu falecimento. Foi construído à beira da estrada, no cruzamento das vias para Norte e para o litoral, o cruzamento para Castelo de Paiva e para o Porto, a cerca de 2 Kms a Poente do Mosteiro. É românico e datado do século XII. Foi classificado Imóvel de Interesse Público, segundo o Decreto 38 491 de 16. De Junho de 1910. A datação e por comparação com outros monumentos do género, não ficam dúvidas quanto à sua função de monumento funerário. Por aí se desfaz a lenda popular que atribui a este monumento o nome de arco da Rainha Santa, por supostamente aí ter parado para descansar, o jumento que transportava o caixão com Santa Mafalda, que teria morrido em Rio Tinto, perto do Porto.

TORRE SINEIRA DA IGREJA DE URRÔ

A Torre Sineira da Igreja de Urrô é também classificada como Imóvel de Interesse Público desde 6 de Novembro de 1951, pelo Dec. 38 491. É uma torre de estilo românico e única em todo o concelho, pelas suas características. Como o próprio nome indica, serve de suporte aos sinos e foi construída em frente da igreja matriz de uma das freguesias do vale de Arouca, a freguesia de Urrô, que atravessa o vale no sentido Norte Sul. Teve, em tempos, uma galilé que a unia à matriz e servia de acesso aos sinos, ao mesmo tempo que servia de cobertura ao espaço entre a porta principal da igreja e a torre. » MONUMENTOS MEGALÍTICOS Os monumentos megalíticos existentes em Arouca encontram-se em diversos locais do território concelhio e predominam nas terras altas ou de meia encosta, sobretudo em terra virgem, onde não chegou, pelos séculos fora, a intervenção humana no arroteamento das terras para a produção agrícola. Daqui poderá concluir-se que outros monumentos funerários terão existido, em diferentes locais, nomeadamente mais próximos do vale, mas as necessidades de utilização do solo e as alterações que por isso foram provocadas, levaram à destruição dos espaços que serviram para enterrar o homem que habitou em tempos mais distantes esta região. Importa por isso, aqui e agora referenciar os monumentos existentes e que com maior ou menor persistência vão sendo estudados, de acordo com as políticas culturais e a sempre necessária disponibilização de verbas para o efeito. No território do concelho de Arouca estão hoje estudados vários monumentos funerários pré-históricos e está finalmente feito o levantamento do património arqueológico concelhio. Estudos anteriores permitem-nos afirmar que os mais antigos vestígios da presença humana em Arouca datam do IV milénio a .C. Estes vestígios são constituídos por monumentos sepulcrais, denominados por antas, dolmens ou mamoas que foram os locais funerários colectivos das populações pré-históricas. O conjunto Megalítico de Escariz, na freguesia que lhe dá o nome, constitui o mais vasto património pré-histórico do concelho e está classificado todo o conjunto, bem como algumas mamoas já devidamente estudadas. Destas cerca de 50 mamoas que compõem o Conjunto Megalítico merece especial relevo o Dólmen 1 da Aliviada, classificado como monumento Nacional desde 1992. De grande importância pela sua estrutura são também a mamoa 2 da Aliviada e o Dólmen 4 das Alagoas. O planalto da serra da Freita é outro dos locais de Arouca de relevante importância em monumentos megalíticos, tendo sido, até agora localizados mais de duas dezenas de monumentos deste tipo. A mamoa de Portela de Anta, situada bem no centro do planalto da Freita, surge-nos como o grande cemitério pré-histórico. É um monumento imponente com um diâmetro que atinge cerca de 30 metros e terá sido, durante mais de um milénio, a grande necrópole de toda a região da Freita. Também no Arressaio, extremo Norte do concelho, na freguesia de Santa Eulália, a cerca de 500 metros de altitude se encontram vários monumentos funerários. O mesmo sucede na freguesia de Alvarenga, no outro extremo do concelho, a Nascente onde está identificado um vasto e rico património funerário megalítico. Dos monumentos que foi possível estudar, verificou-se que os adornos funerários eram bastante pobres, tendo-se, no entanto recolhido algum importante material como: fragmentos de vasilhas cerâmicas, mós manuais, machados de pedra polida, lâminas e pontas de sílex, bem como milhares de contas em forma de disco, que terão servido de objecto de adorno. Este espólio aguarda exposição num futuro museu que tarde em surgir.

MINAS DE VOLFRÂMIO

As minas de volfrâmio de Arouca constituem património da arqueologia industrial que estão ainda ao abandono a aguardar urgente intervenção. Por aqui passaram aquando das duas guerras, mas principalmente na Segunda Guerra Mundial, para além dos mandatários de ambas as potências, ingleses e alemães, milhares de mineiros, de aventureiros, de gente de toda a espécie e, terminada a guerra, ficou ao abandono toda a arqueologia utilizada na exploração do minério, bem como muitas construções então utilizadas, quer na extracção, quer na logística. Rio de Frades e Regoufe são hoje dois lugarejos perdidos nos confins da serra, ambos situados em locais paradisíacos, que constituem um dos mais ricos patrimónios naturais do concelho, a merecer o tratamento adequado, no sentido de perpetuar na memória, um tempo de grandezas e misérias de um povo que aí buscou fortuna e encontrou quase sempre a glória efémera. No lugar de Rio de Frades podemos ver ainda, em bom estado de conservação as muitas construções edificadas pela Companhia alemã, para alojar os muitos mineiros e também para os escritórios da empresa que durante cerca de cinco anos aí se dedicou à exploração de volfrâmio. No lugar de Regoufe, para além da minas ainda em bom estado de conservação há todo um conjunto de edifícios que importa preservar, nomeadamente para fins turísticos, mas sempre sem alterar a traça original e preservando os espaços envolventes, para que se não perca a memória e o inestimável património que marcou profundamente a geração que atravessou os anos da Segunda Guerra Mundial. As construções existentes no lugar de Regoufe, feitas pela Companhia inglesa, são bem mais simples que as edificações alemãs de Rio de Frades, mas, umas e outras merecem urgente intervenção, para que as intempéries e o abandono, façam com que se percam irremediavelmente.

FRECHA DA MIJARELA

Alguns Kms após a nascente, constituído pela água que se vai juntando na linha de água que percorre o planalto da serra da Freita, quase a fio de água no Verão e já com significativo caudal no Inverno, o rio Caima precipita-se de uma altura de cerca de 60 metros. A precipitação da água, fresca e cristalina, na queda abrupta entre rochedos graníticos constitui um dos mais espectaculares recortes da natureza e forma um dos mais belos quadros a enriquecer o património natural do concelho de Arouca. Sem qualquer tipo de intervenção humana, este cenário magnífico pode ver-se, a partir de um pequeno miradoiro, no lugar de Albergaria da Serra, junto à estrada que atravessa a serra da Freita.

PELOURINHOS

Marcos dos mais significativos da autonomia dos povos em relação à tutela administrativa, através de vários séculos conferida às ordens privilegiadas do Clero e da Nobreza, os Pelourinhos são o símbolo da autonomia concelhia, administrativa e judicial. São quatro os Pelourinhos existentes em Arouca evidenciando a existência de outros tantos concelhos medievais no espaço territorial que constitui o actual concelho de Arouca.

PELOURINHO DE CABEÇAIS

É dos mais antigos pelourinhos do actual território do concelho de Arouca. Foi desde 1275 o símbolo da autonomia municipal do extinto concelho de Fermedo e esta data coincide com a do foral. Este concelho medieval tinha a sua vila no actual lugar de Cabeçais, que foi a sede do concelho até este ser extinto em 24.12.1855. Compunham o concelho de Fermedo, além da freguesia sede, também as de Escariz, S. Miguel do Mato e Mansores, que seriam integradas no concelho de Arouca e ainda as freguesias de Romariz, Vale e Louredo anexadas ao concelho de Santa Maria da Feira. O pelourinho de Cabeçais tem na sua base a referida data, que coincide com o primitivo foral do concelho de Fermedo. Foi restaurado e recolocado junto à capela, em frente à antiga casa municipal, actualmente restaurada também e transformada em casa da cultura. É imóvel de interesse público desde 11.10.1933 pelo Decreto 23122.

PELOURINHO DE AROUCA

O Pelourinho de Arouca, ou da vila, foi mudando de local consoante o edifício da Câmara se mudou também de instalações e, não raro foi esquecido em pedaços. Foi recentemente colocado em lugar de destaque perto de uma das antigas casas municipais, junto ao topo Norte da igreja do Mosteiro. Como símbolo da autonomia concelhia está intimamente ligado à criação do concelho de Arouca, criado por foral de D. Manuel I, em 1513.

PELOURINHO DE ALVARENGA

Também o Pelourinho de Alvarenga é testemunha do tempo em que a freguesia de Santa Cruz de Alvarenga foi sede de um pequeno concelho, composto pela referida freguesia e outras que seriam integradas no concelho de Arouca aquando da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira em 1836. O foral do supracitado e extinto concelho data de 2 de Maio de 1514. O Pelourinho tem uma inscrição com a data de 1590 e foi classificado como imóvel de interesse público em 11.10.1933 pelo Decreto nº 23122. Está situado em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal, no largo de Trancoso, centro da freguesia de Alvarenga.

PEDRAS PARIDEIRAS

Pedras parideiras de que resultam pequenas pedras paridas, constituem um fenómeno raro e ainda mal explicado pelos cientistas. Estas pedras que se encontram em Portugal unicamente no lugar da Castanheira, no planalto da serra da Freita, são um fenómeno raro em todo o mundo, já que fenómeno idêntico se encontra apenas no território da ex-União Soviética. Nas grandes massas graníticas existem pequenos nódulos envolvidos por uma capa de biotite em forma de disco biconvexo. Por efeitos da erosão ou pelas contracções resultantes das grandes amplitudes térmicas existentes no local, quer na variação diária e também na variação sazonal, os pequenos nódulos saltam da pedra mãe, donde resulta a atribuição popular de “pedras parideiras. Existe uma pequena zona protegida para evitar a delapidação deste fenómeno único existente em Arouca e em Portugal.

TRILOBITES

Existem em razoáveis quantidades na denominada Louseira de Canelas, na freguesia de Canelas, do concelho de Arouca. A transformação da antiga louseira, donde se extraía a ardósia para cobertura das casas, deu lugar à recente exploração industrial daquela zona xistosa, onde se procede à extracção de ardósia para fins industriais de construção civil e para efeitos ornamentais. Com o evoluir da exploração foram surgindo cada vez mais exemplares, raros e únicos no mundo, de crustáceos marinhos que constituíram a fauna do planeta na época Paleozóica. Dos muitos fósseis encontrados alguns têm dimensões significativas e outros são minúsculos. A maioria ter-se-à extinguido há cerca de 230 milhões de anos e a alguns dos fósseis marcados no xisto, datados por cientistas de Universidades internacionais, foi atribuída a idade de 450 milhões de anos.

ALDEIAS TRADICIONAIS

Arouca tem um vasto conjunto de aldeias tradicionais devidamente identificadas, a maior parte delas localizadas no planalto da Freita e que dão pelos ancestrais nomes de Albergaria, Mizarela, Cabaços, Merujal, Castanheira e Cando em diferentes sítios do planalto; Tebilhão e Cabreiros, nas fraldas da serra. Ainda na direcção de Nascente e já fora da Freita, encontramos outras aldeias tradicionais como Drave e Regoufe, estas penduradas nas margens do rio Paiva. Porque não cabe neste trabalho o estudo aprofundado de cada uma das Aldeias em particular, assinalam-se as características comuns às aldeias referidas, salientando alguns particularismos que se apresentem relevantes. Estas aldeias tradicionais que constituem o inestimável património arouquense, não raro adulterado por acção da aculturação fruto da emigração e a insensibilidade dos autores dos licenciamentos ou fiscalização autárquicas, são lugares cuja origem se perde nas brumas do tempo e constituíram-se como aglomerados urbanos, comuns a pessoas e aos animais que lhes garantiram o sustento, a que se acrescentam as eiras e espigueiros. Têm em comum o facto de serem circundadas por áreas agrícolas mais ou menos significativas, que ditavam a dimensão do núcleo habitacional, na medida em que eram a garantia do sustento dos habitantes de cada aldeia. As construções são geralmente de um só piso que era compartilhado pelo proprietário e pelos animais que possuía. As paredes são maioritariamente em granito tosco, o material abundante na região. Na cobertura predomina a palha de colmo e a lousa de ardósia, marcando esta alguma diferenciação social, uma vez que não existe no local. O aglomerado populacional acompanha quase sempre a morfologia do terreno e está edificado lateralmente a um ou vários caminhos estruturantes da aldeia, consoante a sua dimensão. A aldeia de Regoufe assume algum particularismo, quer pela sua dimensão, quer pela morfologia do terreno íngreme, o que terá levado à construção de um primeiro piso para habitação dos animais e um segundo para a habitação de pessoas.

O concelho de Arouca, abrange uma área de 327 Km2, situa-se no extremo NE do distrito de Aveiro e está integrado na NUT III do Entre Douro e Vouga, da região Norte de Portugal, juntamente com os concelhos de Sta. Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, e S. João da Madeira. Fazem fronteira com o seu território os municípios de S. Pedro do Sul, Castro Daire, Cinfães, Castelo de Paiva e Gondomar e ainda os referidos municípios de Sta Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra.

A vila, sede do Concelho, tem cerca de 3.000 habitantes e está situada no extremo nascente do Vale de Arouca, a cerca de 60 Km da sede de distrito e 50 Km da cidade do Porto.

O concelho é composto por vinte freguesias, assim designadas: Albergaria da Serra, Alvarenga, Arouca , Burgo, Cabreiros, Canelas, Chave, Covêlo de Paivó, Escariz, Espiunca, Fermêdo , Janarde, Mansores, Moldes, Rossas, Santa Eulália, S. Miguel do Mato, Tropêço, Urrô e Várzea. Nele vivem cerca de 24.000 habitantes.

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